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Nina Simone, 85 anos: As boas histórias por trás das 3 turnês da lenda da música no Brasil

Do Geledés*

Lenda da música se apresentou no País em 1988, 1997 e 2000.
Por Amauri Terto Do Huffpost Brasil

Cantora de voz inconfundível e pianista excepcional. Compositora franca e intérprete visceral. Mulher orgulhosa de sua negritude e pioneira na luta dos direitos civis nos EUA, cuja trajetória foi durante marcada (mas não destruída) pelo racismo e violência doméstica.

Estrela que brilhava de forma ímpar no soul, no funk, no jazz e no blues.

Nina Simone, que completaria 85 anos nesta quarta-feira (20), teve uma biografia repleta de altos e baixos descritos em detalhes no documentário What Happened, Miss Simone?, produção indicada ao Oscar dirigida por Liz Garbus e Hal Tulchin.

Considerada uma das lendas fundamentais da música norte-americana, a artista nascida Eunice Kathleen Waymon esteve no Brasil para fins profissionais em três ocasiões.

Em 1988, ela se apresenntou no Rio de Janeiro e em São Paulo, no extinto festival Free Jazz. Em 1997, desembarcou para uma série de shows no Bourbon Street e no Parque Ibirapuera, ambos em São Paulo.

A última passagem foi em 2000 para outra turnê também no Rio e em São Paulo.

MICHEL GANGNE VIA GETTY IMAGES

Nina Simone em julho de 1988, ano em que esteve no Brasil.


Os shows no País foram poucos, mas renderam boas histórias.

Em uma entrevista ao jornal Folha de São Paulo em 2015, a produtora Monique Gardenberg, responsável pela primeira turnê de Nina Simone em terras brasileiras revelou que o semblante da artista na ocasião não lhe transmitia segurança sobre o público veria no palco.

No entanto, todas as desconfianças de dissiparam assim que ela tocou a primeira nota ao piano.

“Nina Simone parecia uma esfinge em que o enigma era ela própria. Sua expressão era vazia, como se dopada. Estava imóvel e assustadoramente ausente. E nesse estado catatônico a conduzimos ao palco, convencidos de que aquela noite seria um enorme fracasso. Diante do piano, sua alma foi tomando seu corpo e ela nos presenteou com um show arrebatador.”

Curiosamente, Nina Simone afirmava que sua primeira vinda ao Brasil não havia sido em 1988, e sim nos anos 1960, quando passou um Carnaval no País.

Depois da primeira turnê, ela começou a trocar correspondências com Maria Bethânia, a quem admirava, que resultou numa colaboração à distância, a bela canção I’m Ready to Sing/ Pronta pra Cantar.

Nove anos depois, durante a coletiva de imprensa antes dos shows no Bourbon Street e no Parque Ibirapuera, Nina deu sinais de que a parceria com Bethânia não havia sido, assim, tão bem-sucedida.

“Estou procurando por ela, pois não recebi direitos autorais por aquela gravação até hoje. É possível localizá-la para mim?”, disse referindo-se à cantora baiana. Bethânia não se pronunciou sobre o caso.

O show no parque foi memorável: reuniu cerca de 35 mil pessoas.

Antes da derradeira passagem pelo Brasil, três anos antes de morrer, Nina foi questionada pela Folha de S. Paulo se conhecia Diana Krall, pianista e cantora norte-americana de jazz em ascensão na época. “Não tenho a menor ideia de quem você está falando. Eu sou Nina Simone. Ela é quem?”, respondeu a diva.

No Rio de Janeiro, Nina fez um passeio na Baía de Guanabara, onde foi entrevistada pelo crítico Tárik de Souza. No dois pequenos registros disponíveis no YouTube, Nina Simone fala sobre Maria Callas, a cantora que ela mais ouvia, e também sobre o Brasil.

Usando a expressão “voodoo”, a artista explicou que a relação dela com o País estava relacionado com sua herança africana.

A diva da música negra morreu em 2003, aos 70 anos, em decorrência de um câncer de mama.

Nina Simone também tinha um diagnóstico de bipolaridade e se medicou durante muitos anos na França, onde morou durante a fase final de sua vida. “Aqui eu sou mais respeitada, as pessoas me dão mais valor”, dizia sobre o país europeu.

*Originalmente publicado em Geledés

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