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Jorge Amado e Isabel Allende: duas lembranças para este mês de agosto

jorge-amadoDuas das maiores expressões da literatura latino-americana de todos os tempos – o escritor brasileiro Jorge Amado e a chilena Isabel Allende – têm infinitas coisas em comum. Mas duas delas levam a que deixemos um registro de suas vidas em nosso Longevidade/ADunicamp:

1 – Os dois nasceram no mês de agosto;

2 – Os dois trabalharam (no caso de Jorge Amado) ou trabalham (no caso de Isabel Allende) muito além da idade média de aposentadoria da maioria dos mortais… e, a cada ano de trabalho, foram aprimorando e refinando mais e mais a qualidade de sua produção.

isabel-allendeIsabel Allende, nascida em 2 de agosto de 1942, publicou no ano passado o seu livro mais recente, El Amante Japonés (O Amante Japonês).

Jorge Amado, que nasceu em 10 de agosto de 1912, se manteve em atividade, e escrevendo, até os mais de 85 anos, três anos antes de morrer – às vésperas de seu aniversário de 89 anos, em 2001.

UM POUCO DAS HISTÓRIAS

Jorge Amado      

Jorge Amado, que completaria 104 anos em 2016, nasceu na Fazenda Auricídia, no distrito de Ferradas, município de Itabuna, sul do Estado da Bahia – filho do pequeno fazendeiro de cacau João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado.

Com apenas dez meses, viu seu pai ser ferido numa tocaia dentro de sua própria fazenda. No ano seguinte uma epidemia de varíola obrigou a família a deixar a fazenda e se estabelecer em Ilhéus. Em 1917 a família mudou-se para a Fazenda Taranga, em Itajuípe, onde seu pai voltou à lida na lavoura de cacau.

Na idade escolar, para Salvador, onde cursou o ensino secundário e começou a trabalhar em jornais e a participar da vida literária. Nessa época, foi um dos fundadores da Academia dos Rebeldes.

Publicou seu primeiro romance, “O país do carnaval”, em 1931. Em 1933, ano em que publicou seu segundo romance, “Cacau”, casou-se com Matilde Garcia Rosa. Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, em 1935. Militante comunista, foi obrigado a exilar-se na Argentina e no Uruguai entre 1941 e 1942, período em que fez longa viagem pela América Latina. Ao voltar, em 1944, separou-se de Matilde Garcia Rosa.

Em 1945, foi eleito – como o deputado federal mais votado do Estado de São Paulo – membro da Assembleia Nacional Constituinte, na legenda do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Jorge Amado foi o autor da lei, ainda hoje em vigor, que assegura o direito à liberdade de culto religioso. Nesse mesmo ano, casou-se com Zélia Gattai, com quem viveu até o fim de sua vida.

Por força de suas convicções políticas, permaneceu no exílio – na França e na Polônia – de 1947 a 1952. De volta ao Brasil, Jorge Amado afastou-se, em 1955, da militância política. Manteve-se filiado ao Partido Comunista, nunca deixou de se manifestar politicamente e participar de atos políticos, mas decidiu dedicar-se inteiramente à literatura. Produziria, a partir de então, uma obra monumental.

Foi eleito, em 1961, para a cadeira de número 23, da Academia Brasileira de Letras, que tem por patrono José de Alencar e por primeiro ocupante Machado de Assis.

A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba em várias partes do Brasil. Seus livros foram traduzidos para 49 idiomas, com exemplares também em braile e em formato de audiolivro.

A União Brasileira de Escritores, presidida por Peregrino Jr., apresentou em Estocolmo a candidatura formal de Jorge Amado ao Prêmio Nobel de Literatura, em 1967, embora o escritor a recuse. A UBE insiste em apresentar novamente a candidatura de Jorge Amado ao Nobel, em 1968. O escritor concorda, mas exige que ela seja feita junto com a do romancista português Ferreira de Castro, seu amigo. No mesmo ano, o cineasta polonês Roman Polanski visita o escritor na Bahia para “agradecer a alegria que seus livros me proporcionaram na juventude”.

O romance “Tieta do Agreste” é escolhido como tema do carnaval de Salvador, em 1997. No domingo de folia, o bloco “Amigos do Amado Jorge”, liderado pelo cantor e compositor Caetano Veloso, desfila em homenagem ao romancista, que assiste à festa ao lado de Zélia Gattai no camarote da passarela da Praça do Campo Grande. A editora Record lança “Milagre dos Pássaros“. No Salão do Livro de Paris, em 1998, é uma das principais atrações e recebe o título de Doutor Honoris Causa na Sorbonne.

Em maio de 1999, é hospitalizado para fazer exames de rotina e tratar de um mal-estar digestivo.  Em junho, a Fundação Casa de Jorge Amado lança o livro “Rua Alagoinhas 33, Rio Vermelho”, sobre a casa em que o autor vivia e sobre seu cotidiano.

Já recluso, face a seus problemas de saúde, comemora em agosto de 2000, com poucos amigos e a família, seus 88 anos. Vivia deprimido por se encontrar quase sem enxergar, sob dieta rigorosa, privando-se do que muito gostava: de escrever, de ler um bom livro e de um bom prato.

No dia 21 de junho de 2001, Jorge Amado é internado com uma crise de hiperglicemia e tem uma fibrilação cardíaca. Após alguns dias, retorna à sua casa, porém, em 06 de agosto volta a se sentir mal e falece na cidade de Salvador às 19,30 horas. A seu pedido, seu corpo foi cremado e suas cinzas foram espalhadas em torno de uma mangueira em sua residência no Rio Vermelho.

A obra de Jorge Amado mereceu diversos prêmios nacionais e internacionais, entre os quais destacam-se: Stalin da Paz (União Soviética, 1951), Latinidade (França, 1971), Nonino (Itália, 1982), Dimitrov (Bulgária, 1989), Pablo Neruda (Rússia, 1989), Etruria de Literatura (Itália, 1989), Cino Del Duca (França, 1990), Mediterrâneo (Itália, 1990), Vitaliano Brancatti (Itália, 1995), Luis de Camões (Brasil, Portugal, 1995), Jabuti (Brasil, 1959, 1995) e Ministério da Cultura (Brasil, 1997).

Recebeu títulos de Comendador e de Grande Oficial, nas ordens da Venezuela, França, Espanha, Portugal, Chile e Argentina; além de ter sido feito Doutor Honoris Causa em 10 universidades, no Brasil, na Itália, na França, em Portugal e em Israel. O título de Doutor pela Sorbonne, na França, foi o último que recebeu pessoalmente, em 1998, em sua última viagem a Paris, quando já estava doente. Jorge Amado orgulhava-se do título de Obá, posto civil que exercia no Ilê Axé Opô Afonjá, na Bahia.

Segundo a Fundação Casa de Jorge Amado, existem registros oficiais de traduções de obras do escritor para os seguintes idiomas: azerbaidjano, albanês, alemão, árabe, armênio, búlgaro, catalão, chinês, coreano, croata, dinamarquês, eslovaco, esloveno, espanhol, esperanto, estoniano, finlandês, francês, galego, georgiano, grego, guarani, hebraico, holandês, húngaro, iídiche, inglês, islandês, italiano, japonês, letão, lituano, macedônio, moldávio, mongol, norueguês, persa, polonês, romeno, russo, sérvio, sueco, tailandês, tcheco, turco, turcumênio, ucraniano e vietnamita (48 no total). Essas traduções foram publicadas no mínimo nos seguintes países: Albânia, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Armênia, Áustria, Azerbaidjão, Bulgária, Canadá, Chile, China, Colômbia, Coréia do Norte, Coréia do Sul, Cuba, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Eslováquia, Estônia, Finlândia, França, Geórgia, Grécia, Holanda, Hungria, Inglaterra, Irã, Islândia, Israel, Itália, Iugoslávia, Japão, Letônia, Lituânia, México, Mongólia, Noruega, Paraguai, Polônia, Portugal, República Tcheca, Romênia, Rússia, Suécia, Tailândia, Turquia, Ucrânia, Uruguai, Venezuela e Vietnã; o Brasil também deve ser computado em função da edição nacional em esperanto, totalizando 52 nações.

VISITE O ACERVO – A história, a vida e as obras do escritor podem ser acompahadas, hoje, no Acervo Jorge Amado (http://acervo.jorgeamado.org.br). O Acervo Jorge Amado é composto pela bibliografia do escritor — livros de sua autoria em edições brasilei­ras e portuguesas, e as traduções em 49 idiomas — publicações em periódicos, artigos, letras de música e publicações em coautoria, trabalhos como tradutor e organizador; documentos pessoais, correspondências, originais, certificados, diplomas, condecorações, tro­féus, medalhas e placas recebidas no Brasil e no exte­rior; além de teses, estudos e citações sobre o autor, biografias, adaptações de sua obra para cinema, teatro e televisão, fotografias, filmes, fitas de vídeo, dis­cos, cartazes e outros.


Isabel Allende

Se depender da própria Isabel Allende, a cronologia de sua vida não é o relato de sua verdadeira história. Em seu site oficial, recentemente renovado (http://isabelallende.com), ela escreve: “Es muy extraño escribir su propia biografía, porque es tan solo una lista de fechas, eventos y logros. En realidad, las cosas más importantes de mi vida pasaron en las cámaras secretas de mi corazón y no pertenecen en una biografía. Mis logros más significativos no son mis libros, sino el amor que comparto con unas pocas personas, especialmente mi familia, y las formas en que he tratado de ayudar a los demás. Cuando yo era joven, a menudo me sentía desesperada: ¡tanto dolor en el mundo y tan poco que yo podía hacer para aliviarlo! Pero ahora, reflexiono sobre mi vida y me siento satisfecha, porque pocos días han pasado, sin que por lo menos intente cambiar las cosas”.

Isabel é considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Sua obra é marcada pela ditadura no Chile, implantada com o golpe militar que em 1973 derrubou o governo do primo de seu pai, o presidente Salvador Allende (1908-1973).

Escreveu A casa dos espíritos (1982) e ganhou reconhecimento mundial de público e crítica. A obra foi filmada em 1993 por Bille August, comJeremy Irons e Meryl Streep. Em 1995 lançou o livro Paula, que a autora escreveu para a sua filha que estava em coma devido a um ataque de porfiria. Como a autora não sabia se a sua memória voltaria após a saída do coma, Isabel Allende resolveu contar a sua história para auxiliar a filha a lembrar dos fatos. Paula passou a ser então um retrato auto-biográfico. Uma frase, escrita em seu livro Paula, ajuda a dar uma pista sobre a importância da literatura para Isabel Allende: “O meticuloso exercício da escrita pode ser a nossa salvação”.

Filha de diplomata e sobrinha do presidente chileno Salvador Allende, nasceu no Peru, mas sua família voltou logo para o Chile, país que considera sua verdadeira terra natal. Trabalhou como jornalista em periódicos, em revistas femininas e na televisão antes de publicar seus livros. Também foi colaboradora da FAO (Food and Agriculture Organization, órgão das Nações Unidas) em Santiago do Chile.

Após o golpe do general e a morte de Salvador Allende, em 1973, o clima de terror obrigou-a a abandonar o Chile com a família e buscar refúgio na Venezuela. Em Caracas, trabalhou como repórter do jornal “El Nacional” e como professora de idiomas numa es

Romances

1982 – La casa de los espíritus (A casa dos espíritos)

1983 – La logon Asulon” (A Lagoa Azul)

1984 – De amor y de sombra (De amor e de sombra)

1987 – Eva Luna (Eva Luna)

1991 – El plan infinito (O plano infinito)

1995 – Paula (Cartas a Paula)

1998 – Afrodita (Afrodite)

1999 – Hija de la fortuna (Filha da fortuna)

2000 – Retrato en sepia (Retrato a sépia)

2002 – La ciudad de las bestias (A cidade das feras (Brasil), A cidade dos deuses selvagens (Portugal))

2003 – El reino del dragón de oro (O reino do dragão de ouro)

2004 – El bosque de los pigmeos (O bosque dos Pigmeus)

2005 – El Zorro (Zorro, começa a lenda)

2006 – Inés del alma mía (Inés da minha alma)

2007 – La suma de los días (A soma dos dias)

2009 – La isla bajo el mar (A ilha sob o mar)

2011 – El Cuaderno de Maya (O Caderno de Maya)

2014 – El Juego de Ripper (O Jogo de Ripper)

2015 – El amante japonés (O Amante Japonês)

 

Memórias

2003 – Mi país inventado (O meu país inventado)

 

Contos

1998 – Cuentos de Eva Luna (Contos de Eva Luna)

1984 – La porda de porcelana

1989 – “O pequeno Heidelberg” (Contos de Eva Luna)

 

Teatro

El embajador (representada no Chile em 1971)

La balada del medio pelo (1973)

Los siete espejos (1974)

Los Tomates Del Fábio Cagón (2004)

cola pública. Escreveu histórias infantis, além de algumas peças teatrais. Depois de se divorciar do primeiro marido, Miguel Frías, Isabel Allende mudou-se para a Califórnia (EUA), onde, em 1988, se casou com o americano Willie Gordon.

Isabel atribui seu êxito como escritora ao célebre poeta chileno Pablo Neruda, que no inverno de 1973 aconselhou-a a abandonar seu trabalho como repórter para se dedicar a escrever livros de ficção. Ela não levou muito a sério a sugestão, e demorou quase dez anos para transformar a idéia em realidade.

Sua fama de escritora, aliada à sua condição de refugiada, fizeram dela palestrante requisitada nos Estados Unidos e Europa. Foi também professora universitária de literatura na Universidade de Berkeley, entre outras. É considerada a mais famosa romancista contemporânea da América Latina. Atualmente, continua morando nos EUA.

 

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