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Vamos falar sobre o luto?

No final de 2013, duas publicitárias, que passaram pela dor da perda, decidiram abrir um site na internet para fazer uma pesquisa, convidando pessoas de seu círculo e nas redes sociais para que elas, se tivessem vontade, contassem suas histórias de luto, a fim de conscientizar as pessoas, por meio de textos, depoimentos e reportagens, de que é importante falar e não transformar a morte em um tabu.

A perda pode ser a de um filho, avô, namorado, mãe, pai ou qualquer outro ente querido. Diante da morte, o silêncio é a manifestação mais comum vinda dos amigos e conhecidos. Isso porque muitos se constrangem diante dela e daquele que perdeu alguém amado.

Após passar por experiências de perda, sete amigas perceberam o embaraço das pessoas para tocar no assunto. E quem perde alguém quer falar e manter viva a memória desse ser especial que partiu. “Ao contrário do que as pessoas pensam, falar sobre quem partiu é muito bom para quem ficou. Mesmo que seja um momento de saudade”, diz Cynthia de Almeida, jornalista, e uma das fundadoras da iniciativa Vamos falar sobre o luto?. “As pessoas acham que tocar no assunto é uma forma de nos ferir, mas não é verdade. Eu lembro do meu filho todos os dias, independentemente se alguém falar dele ou do que aconteceu”.

Cynthia perdeu o filho, Gabriel, em 2001, aos 20 anos, em um acidente de carro. Suas seis amigas também perderam pessoas queridas – avô, namorado, familiares. “Não há hierarquia na perda, porque ela depende de sua ligação com aquela pessoa, seja ela quem for”, explica.

No final de 2013, duas publicitárias, amigas de Cynthia, que passaram pela dor da perda, decidiram abrir um site na internet para fazer uma pesquisa, convidando pessoas de seu círculo e nas redes sociais para que elas, se tivessem vontade, contassem suas histórias de luto. A receptividade foi tamanha – e tantos depoimentos chegaram – que as amigas decidiram chamar outras e montar um site.  Fizeram então um crowdfunding – financiamento coletivo – e arrecadaram dinheiro para o projeto. “O objetivo foi criar um espaço de discussão sobre o luto e a morte e conscientizar as pessoas, por meio de textos, depoimentos e reportagens, de que é importante falar e não transformar a morte em um tabu”, explica Cynthia.

O site tem áreas dedicadas tanto para quem vive um luto – e gostaria de dar seu depoimento – como para pessoas que não sabem como abordar alguém querido que esteja vivenciando essa fase. “Dividir histórias, para mim, é o ponto de maior destaque do site. Porque isso conforta pessoas que viveram dramas pessoais parecidos”, diz Cynthia. No site há ainda uma loja virtual de produtos com a proposta de trazer conforto para presentear alguém enlutado. São bolsas, cadernos, cartões com mensagens especiais, como “estou aqui para você”, “saudade é o amor que fica”, “quem amamos está sempre vivo dentro de nós”, entre outras.

“A gente tem essa preocupação de ser super leve e inspirador, porque a mensagem é essa: desmistificar o luto”, explica a jornalista.

Para conhecer a iniciativa, ajudar ou inspirar-se, basta acessar o link Aqui

(*)Redação ANCP – Acesse Aqui 

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