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Lula, o que aconteceu?

Quem assistiu ao discurso da Presidente Dilma Rousseff ao deixar o Palácio do Planalto após ser afastada da Presidência em votação do Senado Federal não pôde deixar de perceber, logo atrás da senhora ao microfone, o ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, um senhor de cabelos brancos com semblante abatido e olhar quase catatônico.

Chamado por Obama de “o cara” na reunião do G-20 em abril 2009, logo depois caiu em desgraça com o presidente americano, quando em 2010 tentou intermediar um acordo que limitava o enriquecimento de urânio pelo Irã. Seu objetivo era baixar a temperatura no Oriente Médio, mas a rejeição americana à proposta, aceita pelo Irã, abriu as portas para a derrubada de Khadafi, a fragmentação da Líbia e a guerra civil na Síria, gerando nesse processo centenas de milhares de mortes e milhões de refugiados.

O atrevimento de Lula, ao tentar se imiscuir nas brigas de “cachorros grandes”, colocou-o na mira do jogo pesado da política internacional. A partir daí, o projeto de uma América do Sul integrada vai sendo desmontado de maneira sistemática e Dilma Rousseff é só uma pedra a mais a cair nesse jogo político extremamente bruto.

Considerado por muitos que o conheceram mais de perto como uma pessoa inteligentíssima, Lula demandou a implantação de soluções não convencionais nos momentos críticos da crise global de 2008. As políticas sociais e de incentivo à economia de seu governo, que tiraram milhões de pessoas da pobreza extrema e aumentaram de maneira significativa os acessos à educação, à saúde e ao consumo despertaram interesse e reconhecimento internacionais.

DIAMANTE BRUTO

Delfim Neto, o homem forte da economia durante o regime militar e amigo e confidente de Lula, o considera “um gênio, um diamante bruto, uma inteligência extremamente privilegiada, que fez um bom governo, aproveitou uma oportunidade muito boa, que foi a expansão do mundo”.

Na entrevista que deu, em 20 janeiro, a jornalistas da imprensa digital e a blogueiros, Lula, ao ser questionado de maneira educada, mas firme, sobre os erros e faltas do PT, revela uma outra face que não aparece não grande mídia. A entrevista lança luzes sobre como a política é feita no dia-a-dia e os jogos de pressão dos bastidores que definem quem paga a conta e quem se beneficia das decisões e dos recursos públicos.

Durante a entrevista, Lula ainda acreditava que Dilma Rousseff tinha condições de reverter o impeachment se saísse da inércia e assumisse uma pauta de interesse das massas. O vídeo revela a inteligência excepcional de Lula e talvez ajude a explicar o que deveria estar passando por aquela cabeça privilegiada de frente pra correligionários e simpatizantes nos últimos momentos de Dilma em frente ao Palácio do Planalto.

De qualquer maneira, o vídeo vale a pena ser visto, pois é uma master class de política e economia por alguém que, “sem ter passado pela USP”, usou ao longo da vida sua inteligência privilegiada e instinto político animal para criar uma nova realidade no País.

Veja a entrevista no vídeo abaixo:

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