GT Moradia

Estudo de cohousing muda a perspectiva de moradia dos integrantes do grupo de estudos

Os dois anos de estudos sobre condomínios intencionais, em especial sobre as experiências de cohousing (leia aqui), mexeram profundamente com os conceitos de moradia dos integrantes do GTMoradia/ADunicamp.   

O professor Bento Carvalho Junior, coordenador do grupo, lembra que, quando os estudos começaram, nenhum dos integrantes tinha qualquer interesse em mudar de casa. “Estávamos realizando um trabalho totalmente voluntário. O único objetivo era atender as demandas colocadas por aquele grupo inicial de professores aposentados e associados à ADunicamp”, lembra Bento. “E imaginávamos: ‘Assim que tivermos um resultado amplo sobre as melhores alternativas, a gente divulga’. E acreditávamos que aí acabaria a nossa missão”.

Mas hoje, todos os integrante do grupo estão dispostos a participar do grupo que deverá ser criado para construir a Vila ConViver.

Veja, abaixo, os depoimentos de alguns dos integrantes do GTMoradia (*)

“Há uma discussão mundial sobre a necessidade de reorganização da questão da moradia do idoso. Seminários internacionais importantes apontam isso de maneira recorrente. Apontam para a necessidade de mudar, os idosos estão vivendo mais, as necessidades e exigências já são outras. E a cohousing aparece como uma alternativa excepcional, na questão do envelhecimento e suas implicações – solidão e depressão. Um projeto com bases na antropologia, gerontologia e na sociologia para um envelhecimento com saúde, segurança e qualidade de vida. Precisamos mudar os conceitos, é indispensável a mudança para um outro modelo de moradia.”  Professor Bento Carvalho Junior, coordenador do GTMoradia

“O modelo de gestão da cohousing permite que, nas questões práticas do cotidiano, seja possível encontrar solução para quase tudo: aproveitamento de água de chuva, energia, resfriamento, aquecimento, luz. Tem inclusive o relato interessante de uma cohousing, na Dinamarca: em vez de cada um ter um carro e motorista, decidiram ter cinco carros que atendem todo mundo. A parte interna da cohousing é toda voltada para o pedestre. Carros e garagens ficam sempre na parte externa. Aí, se vêm os netos nos visitar podem ficar ali, na área comum. Uma das ideias que também vimos em vários modelos é que têm quartos de hóspede. Se o morador prefere que seus parentes e amigos, que venham visitar, fiquem nos quartos de hóspede, podem ficar. Em alguns cohousing, os quartos de hóspedes ficam no andar de cima da casa comum, que é uma casa maior, com refeitório, lavanderia e outros espaços. (Nos Estados Unidos, algumas cohousing alugam os quartos de hóspedes para estudantes que estão terminando cursos de educação física, fisioterapia e outros cursos. E eles pagam o aluguel do quarto prestando serviços para os moradores). Realmente, é um local agradável, muito agradável de se viver. O condomínio tradicional não tem uma estrutura social, uma engenharia social pra favorecer o contato, a convivência entre as pessoas, ao contrário do que acontece na cohousing. As experiências que vimos nas cohousing é que existe ali uma vida muito mais ampla, mais agradável, muito mais rica.”. Professora Ana Maria Torezan, membro permanente do GTMoradia

“O empreendimento de um cohousing, desde o projeto arquitetônico, é diferente de qualquer projeto de condomínio tradicional. Primeiro, antes de pensar na construção, temos que reunir as famílias e estas famílias é que vão definir, antes de dar início, qual o tipo de terreno que querem, qual o tamanho de moradia, se o terreno é mais longe ou mais perto, mais caro ou mais barato. É um processo inverso dos condomínios comuns, onde você tem um empreendimento definido e aí procura as pessoas. Cohousing é o inverso. Os espaços comuns, a própria construção das casas, são feitos não para isolar, mas para socializar. Já nos condomínios tradicionais, o que vemos é uma estrutura que isola as pessoas atrás dos muros. Eu, por exemplo, mora há 13 anos em um condomínio em Holambra e não um amigo ou sequer um conhecido com maior afinidade ali dentro. Dia destes, fiquei sabendo completamente por acaso que o meu vizinho de frente havia morrido, há dois anos. Por isso, na cohousing, desde o início, são os moradores que idealizam o projeto. A própria construção das casas vai ser idealizada a partir das necessidades e perspectivas daquele grupo específico. Num projeto voltado para a terceira idade tem que ser colocadas questões aparentemente simples, que vão muito além da largura das portas, mobilidade e assim por diante. São questões relacionadas à construção de um ambiente de cooperação, solidariedade, de apoio mútuo e segurança . Esses são os fatores realmente importantes para uma vida longa com muito mais saúde e qualidade.”. Professor Graciliano de Oliveira Neto, membro permanente do GTMoradia

“Essa questão da construção respeitar, desde o início, as necessidades dos próprios moradores, que o professor Graciliano mencionou, é realmente fundamental. Eu, por exemplo, tenho minha mãe em casa, que agora precisa de cadeira de rodas. Tive que fazer reformas, trocar e ampliar as portas, por exemplo. E isso é muito comum. As casas não são construídas prevendo essas necessidades de diferentes perfis de moradores que um cohousing, como o voltado para a terceira idade ou mesmo para pessoas deficientes, já prevê desde o início. Eu tenho 73 anos hoje e sei que, daqui para a frente, a gente vai ficar limitado. E temos que viver com nossos pares, pessoas que tenham necessidades e anseios semelhantes. E não viver com jovens, não é? Por isso, desde o início do grupo, eu defendo que a gente deva criar neste primeiro momento um cohousing para idosos e não multigeracional. Certamente, a nossa experiência vai abrir caminho para a criação de outros, com perfis diferentes”. Rui Errerias Maciel, membro permanente do GTMoradia

“Essa questão da construção respeitar, desde o início, as necessidades dos próprios moradores, que o professor Graciliano mencionou, é realmente fundamental. Eu, por exemplo, tenho minha mãe em casa, que agora precisa de cadeira de rodas. Tive que fazer reformas, trocar e ampliar as portas, por exemplo. E isso é muito comum. As casas não são construídas prevendo essas necessidades que um cohousing voltado para a terceira idade, ou mesmo para pessoas deficientes, já prevê desde o início. Eu tenho 73 anos hoje e sei que, daqui para a frente, a gente vai ficar limitado. E temos que viver com nossos pares, pessoas que tenham necessidades e anseios semelhantes. E não viver com jovens, não é? Por isso, desde o início do grupo, eu defendo que a gente deva criar neste primeiro momento um cohousing para idosos e não multigeracional. Certamente, a nossa experiência vai abrir caminho para a criação de outros, com perfis diferentes”. Rui Errerias Maciel, membro permanente do GTMoradia

“Quando iniciamos o grupo, ninguém tinha uma ideia clara de onde iríamos chegar e nem sabíamos o que era isso de cohousing. Mas quando começamos a conhecer fomos seduzidos pela ideia de moradia compartilhada. E, agora, se outros professores abraçarem a ideia, como nós, vamos seguir em frente no projeto. Mas o que eu vejo é que esse aprendizado, essa experiência, também pode abrir possibilidades para outros grupos, para grupos jovens. Imagina o cohousing para mulheres, para mulheres que têm filhos e são sozinhas. Imagina um lugar onde a mulher vai cozinhar uma vez por mês, que vai ter que fazer compras uma vez por mês, porque durante todos os outros dias do mês seus vizinhos, em sistema de rodízio,  estarão cuidando dessas tarefas. Você está num grupo de professores da Unicamp onde o seu filho tem dificuldades em francês… mas tem ali a fulana que pode dar aulas. É realmente uma experiência fascinante para grupos que se identificam”. Rosa Maria Nery, membro permanente do GTMoradia

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*Integrantes do GTMoradia

Membros permanentes: Ana Maria Torezan (FE/DEPE), Bento da Costa Carvalho Junior (FEA/DTA – integrante da Diretoria da ADunicamp), Graciliano de Oliveira Neto (IQ/DQA), Maria Cecília Cardoso Benatti (FENF/DENF – integrante da Diretoria da ADunicamp), Rosa Maria Nery (CEL), Rui Errerias Maciel (IB/DFB).%0

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