GT Moradia

Vila ConViver. Uma proposta de moradia para professores  

Projeto é voltado para docentes acima de 50 anos, aposentados ou em vias de se aposentar, e será apresentado no próxima dia 7 de abril na ADunicamp

O GTMoradia ADunicamp, grupo de trabalho que há mais de dois anos estuda opções de moradia para professores da Unicamp, realiza no próximo dia 07 de abril um encontro para divulgar as primeiras propostas de criação da Vila ConViver, voltada especialmente para docentes acima de 50 anos, já aposentados ou em vias de se aposentar.

A proposta da ConViver foi elaborada após dois anos de estudos dos modelos existentes em vários países (e que recentemente começaram a ser discutidos no Brasil) dos chamados “condomínios intencionais”.

“Foi a partir desses estudos que chegamos ao conceito de cohousing, que passou a orientar o projeto da Vila ConViver.  Desenvolvido originalmente a partir de experiências iniciadas há mais de 20 anos na Dinamarca, o conceito de cohousing orienta hoje, em diversos países, modelos de ‘condomínios intencionais’ voltados para moradores dos mais diferentes perfis econômicos sociais e culturais”, relata o professor Bento Carvalho Jr., coordenador do GTMoradia.

A ORIGEM

Os integrantes do grupo de trabalho lembram que os estudos sobre moradia e a criação do GTMoradia surgiram a partir de propostas feitas por professores aposentados associados da ADunicamp em uma assembleia realizada em agosto de 2013 para levantar demandas e propostas dos associados.

O professor Bento relata que as primeiras reuniões do grupo de trabalho ocorreram já no segundo semestre de 2013 e que, desde que a atual diretoria da ADunicamp – da qual ele é um dos integrantes – tomou posse, há dois anos, foram feitas mais de 40 reuniões para dar seguimento às demandas e propostas dos associados.

Nas primeiras reuniões com os professores aposentados, coordenadas pelo próprio Bento, uma das demandas mais recorrentes foi a da moradia.

“A questão da moradia e, em especial, moradia para idosos, era uma preocupação de muitos dos nossos colegas aposentados. E havia todo tipo de proposta, principalmente a do apoio da ADunicamp para a criação de condomínios ou prédios para idosos. Aí vimos que essa era uma demanda forte entre os associados e começamos a nos reunir num grupo inicialmente grande, com cerca de 30 professores”, lembra Bento.

Já nas primeiras reuniões, surgiram inúmeras ideias, muitas delas com propostas de ações imediatas. “Alguns já queriam sair para comprar terreno, para tentar construir, chamar corretor, chamar arquiteto, e assim por diante”, relata.

A empolgação animou o grupo, mas logo ficou clara a inconsistência e o risco da maioria das propostas.

“Afinal, éramos todos iniciantes no assunto, mas alguns de nós já havíamos lido livros e artigos sobre os chamados ‘condomínios intencionais’ – que é como se chamam os projetos desta natureza – e sabíamos que a compra de terreno e contratação de arquitetos deveria ser, na verdade, a última fase do empreendimento. Então percebemos que teríamos que aprofundar o quanto antes as análises e estudos”, afirma Bento.

Foi assim que surgiu o GTMoradia (*)


*Integrantes do GTMoradia

Membros permanentes: Ana Maria Torezan (FE/DEPE), Bento da Costa Carvalho Junior (FEA/DTA – integrante da Diretoria da ADunicamp), Graciliano de Oliveira Neto (IQ/DQA), Maria Cecília Cardoso Benatti (FENF/DENF – integrante da Diretoria da ADunicamp), Rosa Maria Nery (CEL), Rui Errerias Maciel (IB/DFB).

Professores colaboradores: Ataliba Teixeira de Castilho (IEL/DL) e José Sátiro de Oliveira (FEA/DTA).

 

CONCEITO DE COHOUSING FASCINA INTEGRANTES DO GTMORADIA

A proposta da Vila ConViver, projeto do empreendimento de um ‘condomínio intencional’ voltado para professores aposentados ou em vias de se aposentar, que será apresentado pelo GTMoradia/ADunicamp no próximo dia 7 de abril, é inteiramente baseada no conceito de cohousing (collaborative housing).

As cohousing surgiram na Dinamarca, nos anos 60 e atualmente existem principalmente nos EUA e na Europa. Uma forte característica das cohousing é seu desenho arquitetônico. Por isso, normalmente, elas nascem do zero, com os futuros proprietários dando palpites em todos os estágios de sua construção – do desenho da planta aos materiais que serão usados.

A disposição das casas é planejada para fortalecer a proximidade entre os moradores. Em geral, são construídas de 20 a 40 residências, umas de frente para as outras, com jardins e áreas de lazer entre elas. Cada família vive com privacidade em sua própria casa, mas tem amplos espaços para conviver com toda a comunidade.

No início dos trabalhos do GTMoradia, o conceito de cohousing era apenas mais uma das diversas propostas a serem estudadas. Foi aos poucos que ele se consolidou como a melhor alternativa.

Além de ampla pesquisa bibliográfica e coleta de experiências, os integrantes do grupo de trabalho visitaram diversos locais de referência em moradias para idosos – como os conjuntos residenciais para a terceira idade do Centro Social Holandês em Holambra e da 1ª. Cidade Geriátrica do Brasil, no Lar dos Velhinhos de Piracicaba.

Com o aprofundamento dos estudos, a tradução e leitura de livros e artigos, e o acompanhamento de resultados de experiências em várias partes do mundo, a decisão de seguir o projeto a partir do conceito de cohousing consolidou-se definitivamente. “O conceito de cohousing implica, desde o início, em solidariedade, em busca de alternativas comuns”, explica Bento.


INÚMEROS BENEFÍCIOS

O conceito de cohousing, na avaliação dos integrantes do GTMoradia, traz inúmeros benefícios sobre as demais propostas e experiências de condomínios intencionais que se conhece hoje.

“As experiências de cohousing que estudamos e acompanhamos, em diversos países, mostram que elas oferecem inúmeras vantagens sobre quaisquer outras opções de moradia disponíveis hoje na sociedade – em especial no que diz respeito à qualidade de vida, apoio à saúde e segurança”, avalia o professor aposentado Graciliano de Oliveira Neto, um dos integrantes do grupo de trabalho.

A professora Neusa Carvalho, que auxiliou o GTMoradia na tradução de livros e artigos, lembra alguns relatos de moradores de cohousing na Europa e Estados Unidos. “Sem dúvidas, o grande benefício nas cohousing é a ampla possibilidade de vida social que elas oferecem. Em alguns textos que lemos, os moradores contam que as cohousing recriam o ambiente das cidades de antigamente. Recriam o conceito de ‘vila’, de bairros com ampla vida em comum”, diz.

Para a professora Rosa Maria Nery, que também integra o GTMoradia, as cohousing da terceira idade são totalmente diferentes das moradias para idosos convencionais que conhecemos no Brasil. “Na cohousing, o morador tem a sua casa, o seu espaço individual. Se eu quiser me trancar lá um mês, sem olhar para ninguém, eu posso também. Posso receber os amigos, os parentes, os netos no meu espaço. Tudo favorece o coletivo, mas se mantém a privacidade. E isso é fundamental.”

Todas essas características do cohousing fascinaram profundamente todos os integrantes do GTMoradia. Assim como quase todos os demais membros do grupo, a professora Ana Maria Torezan tinha claro, desde que foi convidada a participar dos trabalhos, que o faria apenas como voluntária. “Eu, realmente, não tinha o menor interesse em mudar da casa em que vivo hoje, em um condomínio de Campinas, e nem de participar da construção efetiva do empreendimento”, relata. Com o aprofundamento dos estudos do cohousing, essa perspectiva mudou completamente. “Hoje sou apaixonada pela ideia e, com certeza, quero participar já do primeiro grupo de futuros moradores”.

Acesse aqui e leia o Boletim na versão em PDF

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