Cidadania / Muito Além do Discurso

Arquiteto cria ONG para reformar casa de famílias de baixa renda

Por Aline Campos

Sabe aqueles programas de televisão que oferecem a reforma de uma casa em troca da exposição da história da família e, claro da audiência? Inspirado por eles, o arquiteto Leonardo Finamor Filho, de 26 anos, decidiu fazer o mesmo, ajudando quem precisa, de forma anônima. Já atuante na área da construção civil, ele lançou a ideia para conhecidos, professores parceiros e alunos do curso de Técnico de Edificações – no qual é professor. E assim, conseguiu reunir voluntários para fazer mutirões de reformas em casas de famílias de baixa renda. Assim nasceu a Oscip “Reparação”, de Bragança Paulista (SP).

Antes de colocarem efetivamente mãos à obra, foram definidos alguns critérios foram avaliados. Além de ser uma família carente, era necessário que a casa fosse própria, mesmo que sem documentação, para não haver riscos de ser tomada pelo proprietário ou haver aumento do aluguel posterior à reforma. Outra condição é que a casa não poderia estar completamente destruída. Por contar com voluntários também para as doações de materiais, o objetivo é a melhoria das condições de vida da família, e não a construção de uma casa nova.

Daí surgiu os primeiros a serem beneficiados. “A família era parente distante de um participante. Moravam numa chácara. Era o marido, a esposa – que estava grávida – além dos 4 filhos que já tinham. A casa não tinha ligação de água. A água que usavam vinha de uma mangueira. A menina mais nova, de apenas 2 anos, nunca tinha tomado banho de chuveiro. Além disso, havia sérios problemas com o forro de madeira, que estava causando problemas respiratórios nas crianças”, lembra Finamor. Depois dessa experiência,  já foram realizadas outras três ações, com a diferença que os voluntários contaram com o apoio de assistentes sociais da Secretaria de Ação e Desenvolvimento Social do município para a indicação de novas famílias.

A primeira reparação (fotos acima) ocorreu em 14 e 15 de dezembro de 2013, e reuniu cerca de 40 voluntários da área da construção civil, entre eles, estudantes de engenharia civil, arquitetos, técnicos de edificações, além de pintores, pedreiros, eletricistas e encanadores. Parceiros do projeto doaram todos os materiais necessários. “Cada um foi atrás de parceiros e patrocinadores, mas não conseguimos o bastante. Uma empresa de Extrema doou cerca de R$1.500 para esta ação, dinheiro que utilizamos para completar os materiais. Nas obras, acontecem muitos imprevistos, porque conforme você vai fazendo, vão surgindo necessidades”, explica.

Com a primeira reparação concluída em 2013, o primeiro semestre de 2014 foi de organização legal, quando se tornaram uma Oscip. “Isso vai nos ajudar muito, porque agora está para sair o nosso CNPJ, e com ele, poderemos abrir uma conta no banco. Como Oscip, também poderemos receber dedução fiscal de empresas. Hoje, não temos tanto problema na captação de voluntários, mas há uma necessidade de muito recurso financeiro para compra de materiais”, afirma o arquiteto.

Na última reforma, foram gastos em torno de R$12 mil. Além das despesas com materiais para a reforma, foram oferecidos café da manhã, almoço e café da tarde aos voluntários. A equipe é dividida entre obra, alimentação, apoio à família e elementos decorativos. “Uma de nossas metas é comprarmos um carro, para que quando as pessoas doarem material, possamos buscar na hora”, ressalta Finamor.

O objetivo é conseguir uma receita mensal para chegar a atender três famílias ao ano. Uma das ideias é fazer carnês com valores de R$10 a R$15 para parceiros interessados. Ao recebem doações, como bicicletas e cestas de chocolates, transformam elas em dinheiro por meio de rifas. Além disso, colocam patrocinadores nas camisetas e capacetes da ação. Ainda entre as doações, estão algumas máquinas pequenas, ferramentas e equipamentos de proteção individual (EPI). O grupo ainda tem outras metas, como montar uma caixa de ferramentas, comprar de um contêiner, que seria colocado em um terreno já ganho pela Oscip, e utilizá-lo como depósito de materiais.

“Visitamos as casas, conhecemos as histórias das pessoas. Na última reforma, a filha tinha paralisia cerebral e fazia uso da cadeira de rodas. O que nos motiva é garantir que algumas pessoas tenham condições mínimas pra viver. Não somos um Caldeirão do Huck ou Programa do Gugu, que consegue, além de reformar, dar um banho de loja na casa. Nossa preocupação é garantir que a família possa voltar pra casa e viver em paz, estudar, dar atenção e carinho para a família. Oferecer a possibilidade de terem um lar”, conclui Filho.

Para quem quiser saber mais sobre o projeto, basta acessar o site, página no Facebook, ou entrar em contato pelo e-mail contato@reparacao.org.br ou pelos telefones (11) 2277-6535 / (11) 98538-3535.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*