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Donald Trump, caricatura machista com chances de ser presidente dos EUA

Em evento, afirmou que equidade só deveria existir se mulheres fossem tão boas quanto homens no trabalho

Donald Trump é quase um Levy Fidelix nas eleições americanas, óbvio que guardando as devidas proporções entre as duas figuras. Levy Fidelix era uma versão caricata do clássico conservador da direita brasileira e ficava bem à margem nas pesquisas eleitorais, Donald Trump segue liderando as intenções de voto para as primárias do partido Republicano e pode vir a ser candidato a presidente no ano que vem nas eleições dos EUA.

O empresário é mundialmente famoso por demitir pessoas em um reality show, ao que parece resolveu aparecer para demitir dos EUA setores marginalizados da política naquele país. Atualmente temas como os direitos das mulheres, genocídio da juventude negra, direitos dos imigrantes e outros tem sido balizadores importantes nos debates nas primárias dos EUA.

Na última segunda-feira, durante a Problem Solvers Convention em Manchester, Trump disparou em discurso que as mulheres deveriam ter equidade salarial apenas se fizessem trabalho igual tão bom quanto os homens.

Segundo Kattie McDonough do Fusion, o debate sobre direito das mulheres iniciou no evento após uma mulher indagar Trump sobre os ataques que a direita estadunidense contra o Planned Parenthood. Seguindo este debate, uma outra interlocutora o questiona sobre o compromisso dele com o direito das mulheres e a equidade salarial, a resposta de Trump foi categórica: as mulheres que trabalharem tão bem quanto os homens devem ganhar igual e continuou sua afirmação de que era um pré-candidato pró-vida.

Não é a primeira vez que o pré-candidato solta comentários machistas em público. A lista é grande e entre seus alvos já estiveram Adriana Huffington, Rosie O’Donnel e Hillary Clinton. Porém um dos comentários sexistas que mais arrepia foi quando o empresário naturalizou publicamente o problema que mulheres militares enfrentam nos EUA com violência sexual, quando comentando os mais de 26 mil casos de estupro não reportados e afirmando que a situação era normal ao colocar mulheres e homens juntos.

A declaração feita por Trump esta semana revela o quanto no aspecto internacional também há um longo processo de enraizamento reacionário na pauta política. O pré-candidato em questão não é apenas uma caricatura da direita tradicional, mas uma caricatura com reais possibilidades de disputa eleitoral nos EUA e isso se reflete nas suas defesas de retirada de direitos, principalmente de mulheres negras e latinas.

Importante que este ano o tema da equidade salarial ganhou bastante fôlego, inclusive sendo parte importante do discurso da Patrícia Arquette na festa do Oscar em fevereiro, porém não estamos falando de equidade salarial de mulheres brancas abastadas que aclamam discurso pró-equidade, mas se silenciam quando há discurso denunciando o encarceramento em massa existente nos EUA.

Segundo o censo dos EUA de 2013, mulheres brancas recebem US$ 0,77 de cada dólar que homens recebem e a situação se agrava quando falamos de mulheres negras e latinas. As negras recebem US$ 0,64 e latinas US$ 0,56 a cada dólar ganho por homens brancos.

Ah! Mas não existem leis nos EUA para garantir equidade salarial? Sim, existem. Porém, a questão da diferença salarial não é resolvida com a mudança legislativa apenas. Existe uma diferença brutal nos postos de trabalho ocupados por homens e mulheres e o desnível salarial entre estes postos de trabalho, ainda mais se compararmos quais postos de trabalho legal que as mulheres negras e latinas tem mais acesso e os postos de homens brancos.

Let’s take a look at one of the highest earning occupations in the country – physicians and surgeons. Women make up 36 percent of workers in these occupations, and are gaining ground in medical school enrollment. Yet women in these fields make 28 percent less than their male counterparts. (It’s time for equal pay)

Vamos dar uma olhada em um dos postos de trabalho que tem o piso salarial mais alto do país – médicos e cirurgiões. Mulehers correspondem 36% das trabalhadoras nessas ocupações, e vem ganhando espaço nas escolas de medicina. Porém médicas e cirurgiãs ganham 28% menos do que os homens que atuam nessa área. (É tempo para equidade salarial)

A afirmação do empresário só demonstra o quanto o debate sobre direitos trabalhistas seja nos EUA ou no mundo precisam ser feitos de forma interseccional para que possamos combater de forma efetiva um grande enraizamento da direita reacionária em diversos cantos do planeta, não apenas no Brasil.

Fonte: OperaMundi

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